quarta-feira, 14 de maio de 2014

O centauro - Angelo Monteiro

Teme a mim, que deito raízes
no limo de tua carne.
 Teme a mim, que trago a vertigem
dos polvos para enredar-te.

Ó teme a mim, que te cavalgo
sobre o sangue vicejante:
como a um pasto de claridade
aberto ao meu horizonte.

Como a um pasto a que eu sem freios,
e selvagem me descontraio,
teme: não tanto ao meu vermelho
mas à cor do meu desmaio.

Teme: não ao fogo desperto,
antes ao fogo dormido.
Não ao claro sol que te cresta
mas, ao que te rasga, escondido.

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