quinta-feira, 22 de maio de 2014

Perfil de escrava - Narcisa Amália

Quando os olhos entreabro à luz que avança
Batendo a sombra e pérfida indolência,
Vejo além da discreta transparência
Do alvo cortinado uma criança;

Pupila de gazela — viva e mansa,
Com sereno temor colhendo a ardência...
Fronte imersa em palor... Rir de inocência,
— Rir que trai ora a angústia, ora a esperança...

Eis o esboço fugaz da estátua viva,
Que — de braços em cruz — na sombra avulta
Silenciosa, atenta, pensativa!

— Estátua? Não, que essa cadeia estulta
Há-de quebrar-te, mísera cativa,
Este afeto de mãe, que a dona oculta!

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