terça-feira, 25 de novembro de 2014

BONECA – Dora Ferreira da Silva


A boneca de feltro
parece assustada com o próximo milênio. 
Quem a aninhará nos braços 
com seus olhos de medo e retrós?

O signo da boneca é frágil 
mais frágil que o de pássaro. 
Confia. Assim passiva 
o vento brincará contigo 
franzirá teu avental 
dirá coisas que entendes 
desde a aurora das coisas: 
foste um caroço de manga 
uma forma de nuvem 
ou um galho com braços 
de ameixeira no quintal.

Não temas. Solta o
corpo de feltro. Assim. 
Para ser embalada nos braços 
da menina que houver.

Um comentário:

  1. Gostei muito desta poesia.
    Quando há sensibilidade, tudo serve para fazer poesia.
    Um abraço
    Irene Alves

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