terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

EM MEU OFÍCIO OU ARTE TACITURNA – Dylan Thomas


Tradução de Ivan Junqueira

Em meu ofício ou arte taciturna
Exercido na noite silenciosa
Quando somente a lua se enfurece
E os amantes jazem no leito
Com todas as suas mágoas nos braços,
Trabalho junto à luz que canta
Não por glória ou por pão 
Nem por pompa ou tráfico de encantos
Nos palcos de marfim
Mas pelo mínimo salário
De seu mais secreto coração.

Escrevo estas páginas de espuma
Não para o homem orgulhoso
Que se afasta da lua enfurecida
Nem para os mortos de alta estirpe
Com seus salmos e rouxinóis,
Mas para os amantes, seus braços
Que enlaçam as dores dos séculos,
Que não me pagam nem me elogiam
E ignoram meu ofício ou minha arte.

Um comentário:

  1. Adorei este poema.
    Muito bom mesmo.
    Abraço amigo a todos os poetas.
    Irene Alves

    ResponderExcluir