segunda-feira, 4 de abril de 2016

O ACENDEDOR DE LAMPIÕES – Jorge de Lima

Lá vem o acendedor de lampiões de rua!
Este mesmo que vem, infatigavelmente,
Parodiar o Sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente.

Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite, aos poucos, se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita:
Ele, que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade
Como este acendedor de lampiões de rua!

Um comentário:

  1. Vir aqui beber poesia é algo que faço muita vez
    silenciosamente. Aqui encontro-me bem, junto de
    tantos poetas e poetisas que se encontram vivos,mesmo que mortos, através da poesia que
    nos deixaram.
    Um abraço amigo.
    Irene Alves

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