O Grande Ateop nasceu do choque de uma constelação fantástica de treze estrelas lá nos limites insondáveis do universo. O Grande Ateop não teve pai nem mãe e nenhum deus ou deusa para gerar sua vida. Sua idade é de bilhões de anos e seus escritos estão em todos os murais das civilizações humanas universais.
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
O CAMINHO QUEU MAIS CURTO - Manoel José do Nascimento (Manuzé)
Tem gente que se curva
Eu gosto é de retas
A distância é menor
Tem muita gente destra
Eu prefiro ser sinistro
E aderir às diretas
..........
Veja mais em:
http://interpoetica.com/site/index.php?option=com_content&view=article&id=631&catid=47
Eu gosto é de retas
A distância é menor
Tem muita gente destra
Eu prefiro ser sinistro
E aderir às diretas
..........
Veja mais em:
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RETORNO - Celina de Holanda
Este chão é pausa.
Deem-me a infância
para que eu retorne
reencontre meu chão,
seu verde, seus marcos,
seu barro plasmável.
Quero saber de novo
de terreiros limpos
com vassouras verdes
do tempo correndo
branco como um rio,
carregando as roupas
qual nuvens mais alvas.
Massapê das margens,
sapatos de lama,
toalhas de vento
e o regresso limpo,
lento como a tarde.
Deem-me a infância
para que eu retorne
reencontre meu chão,
seu verde, seus marcos,
seu barro plasmável.
Quero saber de novo
de terreiros limpos
com vassouras verdes
do tempo correndo
branco como um rio,
carregando as roupas
qual nuvens mais alvas.
Massapê das margens,
sapatos de lama,
toalhas de vento
e o regresso limpo,
lento como a tarde.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
REVOLTA NA ZONA DA MATA - Hermilo Borba Filho
Bicho ardente, verde claro
verde-escuro, amarelado,
no pasto da esperança
voam as crinas dos cavalos.
São animais, são guerreiros,
procurando a madrugada
e nela se ajeitando
com peixes, antas, serpentes,
passarinhos, pirilampos,
roedores, bestas de carne
na revolução da vida
dando exemplo ao bicho-homem.
No pendão da cana escura
corre o suor da agonia,
no eito da enxada aguda
cava, cava a própria dor.
E o céu sangrento, mudo,
recobre a pastagem gorda
que dará ao senhor dela
carros, perfumes e sedas,
enquanto na choça escura
chupando o peito resseco
o homem, criança hoje,
toma lições de animais
para como cobra irada
ou gavião bicador
arrancar do coração
o brado-revolta pura
do final da servidão.
do final da servidão.
MEU CORAÇÃO – J. G. de Araújo Jorge
Eu tenho um coração um século atrasado
ainda vive a sonhar... ainda sonha, a sofrer...
acredita que o mundo é um castelo encantado
e, criança, vive a rir, batendo de prazer...
ainda vive a sonhar... ainda sonha, a sofrer...
acredita que o mundo é um castelo encantado
e, criança, vive a rir, batendo de prazer...
Eu tenho um coração - um mísero coitado
que um dia há de por fim, o mundo compreender...
- é um poeta, um sonhador, um pobre esperançado
que habita no meu peito e enche de sons meu ser...
que um dia há de por fim, o mundo compreender...
- é um poeta, um sonhador, um pobre esperançado
que habita no meu peito e enche de sons meu ser...
Quando tudo é matéria e é sombra - ele é uma luz
ainda crê na ilusão, no amor, na fantasia
sabe de cor todos os versos que compus...
ainda crê na ilusão, no amor, na fantasia
sabe de cor todos os versos que compus...
Deus pôs-me um coração com certeza enganado:
- e é por isso talvez, que ainda faço poesia
lembrando um sonhador do século passado!
- e é por isso talvez, que ainda faço poesia
lembrando um sonhador do século passado!
QUANDO FORES VELHA - William Butler Yeats
Tradução de José
Agostinho Baptista
Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;
Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;
Inclinada
sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.
A ÁRVORE DOS DESEJOS - Seamus Heaney
Tradução de Rui Carvalho Homem
Recordei-a como a
árvore dos desejos que morreu
E vi-a subir,
inteira, até ao céu,
Deixando um rasto
de tudo o que se cravara
Por cada
carência, uma e outra vez, na têmpera
Da sua casca e
sâmago: moeda, alfinete e prego
Desfraldaram dela
como uma cauda de cometa
Recém-cunhada e
dissolvida. Tive uma visão
De uma ramada
aérea atravessando úmidas nuvens,
De rostos
erguidos, onde a árvore estivera.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
BLUES FÚNEBRES - W. H. Auden
Tradução de Nelson Ascher
Que parem os relógios, cale o telefone,
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.
Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto — um laço no pescoço —
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.
Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana.
É hora de apagar estrelas — são molestas —
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante.
INVICTUS - William E. Henley
Tradução de André
Masini
Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.
Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.
Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.
Por
ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
EM MEU OFÍCIO OU ARTE TACITURNA – Dylan Thomas
Tradução de Ivan Junqueira
Em meu ofício ou arte taciturna
Exercido na noite silenciosa
Quando somente a lua se enfurece
E os amantes jazem no leito
Com todas as suas mágoas nos braços,
Trabalho junto à luz que canta
Não por glória ou por pão
Nem por pompa ou tráfico de encantos
Nos palcos de marfim
Mas pelo mínimo salário
De seu mais secreto coração.
Escrevo estas páginas de espuma
Não para o homem orgulhoso
Que se afasta da lua enfurecida
Nem para os mortos de alta estirpe
Com seus salmos e rouxinóis,
Mas para os amantes, seus braços
Que enlaçam as dores dos séculos,
Que não me pagam nem me elogiam
E ignoram meu ofício ou minha arte.
MESA DOS SONHOS – Alexandre O’Neill
Ao lado do homem vou crescendo
Defendo-me da morte quando dou
Meu corpo ao seu desejo violento
E lhe devoro o corpo lentamente
Mesa dos sonhos no meu corpo vivem
Todas as formas e começam
Todas as vidas
Ao lado do homem vou crescendo
E defendo-me da morte povoando
de novos sonhos a vida.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
VANESSA EM MIM – Eleonora Galvão
Vanessa. Teus olhos
me dizem:
- Esqueça!
Vanessa. Tua boca
me pede:
- Entristeça!
Vanessa. Teus seios
me ordenam
- Padeça!
Vanessa de instantes
constantes rompantes
Vanessa da rua
da noite, da lua
Vanessa, poesia
das noites vadias
Vanessa em torno
a garrafas vazias
Vanessa fumaça
maconha, cachaça
Vanessa de ateus
me ama nos breus.
Vanessa em mim!
angústia da hora
poente a aurora
Princípio e fim
.
me dizem:
- Esqueça!
Vanessa. Tua boca
me pede:
- Entristeça!
Vanessa. Teus seios
me ordenam
- Padeça!
Vanessa de instantes
constantes rompantes
Vanessa da rua
da noite, da lua
Vanessa, poesia
das noites vadias
Vanessa em torno
a garrafas vazias
Vanessa fumaça
maconha, cachaça
Vanessa de ateus
me ama nos breus.
Vanessa em mim!
angústia da hora
poente a aurora
Princípio e fim
.
sábado, 20 de fevereiro de 2016
O ESCOLHIDO – Laércio José Pereira
Fosse eu,
o escolhido,
O teu querido,
O teu deus
Fosse eu,
O teu sonho antigo,
O diário amigo,
Íntimo e fiel.
Eu te adoraria,
Venerar-te-ia
em genuflexão.
Pecaria misturando crenças
Monoteístas e ateias
Construiria para ti um templo de invocação,
E te adoraria sem fim,
Com devoção.
Fosse eu,
Somente eu,
O escolhido entre a criação,
Atiraria pétalas
E ramos de alecrim.
Isso, se eu fosse, menina,
O DIABO da tua imaginação.
FUMAÇA – Celso Mendes
arrasto comigo uma sede
de cenas que não vivi
de barcos que já partiram
de peles que não senti
arrasto uma linha pendendo
pras bandas do fim do mundo
que escorre a cada segundo
nas brechas por onde adentro
e levo dois milhões de olhares
mil bocas que não beijei
imagens que guardo lá dentro
e
um rastro que não deixei
A FITA MÉTRICA - Madalena Daltro
A fita métrica
mediou
minha medida
pela medida de quem
nem me viu.
Ou ouviu,
nem eu o vi!
Ou ouvi dizer.
Nem sei quem foi
que deu medida,
à fita métrica
que me mediu.
Assim sou medida
pela medida
da fita criada
por quem
não conheceu
a minha medida.
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