Domingos
Magarinos – Membro da tradicional família Souza Leão, passou a
juventude no Recife, antes de se mudar para o Rio de Janeiro.
O Grande Ateop nasceu do choque de uma constelação fantástica de treze estrelas lá nos limites insondáveis do universo. O Grande Ateop não teve pai nem mãe e nenhum deus ou deusa para gerar sua vida. Sua idade é de bilhões de anos e seus escritos estão em todos os murais das civilizações humanas universais.
sexta-feira, 14 de julho de 2017
quarta-feira, 12 de julho de 2017
FAGULHAS - Cacique Juvenal Payayá
O suor sentido no limo da rocha azul
Apesar do bronze que a prolonga;
A estação fria dorme e desperta
Com o vespeiro da estação da luz;
O guerreiro não cansa a pelo sem a sela
E mais ágil se indomável é o ginete;
Na caverna o rio domina as trevas,
Nos palácios a trovoada silencia;
Não há fragmento sem saudades,
É o corpo o fragmento da mente;
Recortado, fragmentos da rocha azul
Acomodam-se por instante na vidraça;
É a estação da luz que fragmenta as vidraças,
Ressurge nas pressões contra
palácios
Cavalgando a longe no impulso do trovão.
Solitário o rio vence as trevas das cavernas;
Kurumin, livre fragmentos de vidraça
Rompendo cavernas, úmidas selvas,
Fagulha saudosa de vingança doce
Nos
pés suados nos palácios de verão.
terça-feira, 11 de julho de 2017
ANTES DO COMEÇO E DEPOIS DO FIM – Wancir Sales
O que vem antes do começo?
A esperança de que tudo será perfeito,
Um dia azulado,
Uma noite estrelada,
Um amor eterno,
Uma vida feliz
Onde
Cada passo é uma dança,
A cada música um canto,
A cada sonho uma realidade.
E o que vem depois do começo?
Quando você abre os olhos para a realidade
E vê que aqueles seus sonhos se transformaram em pesadelos,
Até o dia azulado não é mais o mesmo,
Que desgosto viver depois do começo que é este fim
Em meio a tanto sofrimento.
Só há lamentos, dor muita dor
E depois do fim? O que vem?
Entre dores e temores
Vem a esperança de um novo começo
Para que haja
Novos sonhos, novas danças,
Novos dias e noites
E quando houver um novo fim
Que venha com menos dores e temores
Menos sofrimentos e lamentos
E mais amadurecida e vivida,
Com a cabeça erguida
Já saberei:
Sempre há um novo começo
Para
que haja novo fim.
PRONTO QUE TE CONTO - Camila Pereira de Paula
pronto que te conto
um conto
em que um tonto
um tanto quanto santo
cantando
me encantou.
e contando
não conto como me sinto
se fico
canto
ou minto
somente pra te encantar
um conto
em que um tonto
um tanto quanto santo
cantando
me encantou.
e contando
não conto como me sinto
se fico
canto
ou minto
somente pra te encantar
ATA-ME - Aninha Torres
Vem meu amor
não demores mais
não precisas fugir
não precisas mentir
não precisas esconder-se
não precisas ater-se
eu já te vi
tu já me vistes
já te desnudei
já me desnudastes
já te guiei
já me guiastes
já te sequei
já me secastes
já te mapeei
já me mapeastes
que mais falta?
que mais queres?
Vem meu bem
ata-me a ti
ata-te a mim
e sigamos bem juntinhas
enfim.
segunda-feira, 10 de julho de 2017
DOIS POEMAS DO POETA CEARENSE QUINTINO CUNHA (1875/1943)
SACRIFÍCIO – Quintino Cunha (*)
Do alto andar de um arranha-céu fraqueja
E rui um andaime que se despedaça
Todo infortúnio por maior que ele seja
Não será pior que essa desgraça
E vê-se então: Oh, santa maravilha!
Dois operários presos deste modo:
Ambos seguros por um cabo de manilha
Fraco, ameaçando rebentar-se todo.
Um pelo menos salvar-se-ia à vinda
De um socorro qualquer nesse transporte
Mas o heroísmo não esqueceu ainda
Quem com amor e coragem enfrenta a morte.
E assim nesse dilema derradeiro
Onde só um podia salvar-se extraordinário...
João – pergunta, resoluto o companheiro
- Qual de nós dois será mais necessário?
Eu tenho quatro filhos é o que João murmura.
- Oh, camarada, então eu te consolo!
E deixou-se cair da imensa altura
Na aspereza sepulcral do solo.
........................
SPES ÚNICA – Quintino Cunha
- Morto, dentro da fria sepultura,
sem te poder falar?
sem te poder falar?
E tu, que me amas, boa criatura,
indo me visitar...
indo me visitar...
Banhada de suspiros, de soluços,
desmaiada, talvez ...
desmaiada, talvez ...
Muita vez reclinada,
até de bruços,
na altura dos meus pés...
na altura dos meus pés...
Pedindo a Deus o meu viver eterno
junto das glórias suas;
junto das glórias suas;
que me livre das penas do inferno,
e a chorar continuas...
e a chorar continuas...
Lembrando nossa vida a todo instante
repassada de dor,
repassada de dor,
a lembrar-te que fui o teu amante,
- o teu único amor,
- o teu único amor,
Mal, pensando na horrífera caveira
em que me transformei,
em que me transformei,
exausto de fadiga, de canseira,
imaginar não sei...
imaginar não sei...
Para evitar essa hora amargurada,
esse quadro de dor, tão verdadeiro,
Deus há-de ser servido, minha amada,
que tu morras primeiro!..
esse quadro de dor, tão verdadeiro,
Deus há-de ser servido, minha amada,
que tu morras primeiro!..
(*) José Quintino da Cunha foi um advogado, escritor e poeta cearense.
Bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Ceará em 1909, onde começou a
exercer a profissão de advogado criminalista. Foi deputado estadual entre 1913
e 1914.
domingo, 2 de julho de 2017
DOIS SONETOS DE ANTÔNIO MENDES MARTINS
(Poeta pernambucano do Recife dos fins do Século XIX e início do Século XX, praticamente desconhecido do público leitor)
UM CORAÇÃO
Conheço um coração que vive do passado
Não esquece um momento o que era antigamente,
E de um tédio imortal, num cárcere fechado,
Não sabe se está vivo ou morto no presente.
E vai seguindo assim, sozinho e indiferente,
A tudo em que repousa o seu olhar magoado...
E, olhando para trás, não vê, na sua frente,
Do futuro distante o abismo escancarado.
E para esse futuro é que ele vai, no entanto...
O passado finou-se e envolve a escuridade.
Que é de tudo que morre o verdadeiro manto...
E o triste, mundo em fora, aos trancos, erradio,
Caminha sem saber, talvez, que esta saudade
É um círio iluminando um féretro vazio.
.............................................
AMOR PASSADO
Por essa mesma estrada em que nós dois, outrora,
Cheios de mútuo afeto, andamos tão sozinhos,
Por essa mesma estrada, andas com outro, agora,
Ouvindo, no arvoredo, a música dos ninhos.
É o mesmo firmamento, e os mesmos passarinhos
Saúdam, gorjeando, o alvorecer da aurora...
Brilha do mesmo modo a areia dos caminhos
Que a mesma primavera exuberante enflora.
Do lago azul do céu na superfície, a lua
Serena e majestosa, ainda hoje flutua
Como um barco dourado e que não teme escolhos...
Tudo está como estava... Unicamente, ingrata.
Outro homem, que não eu, agora se retrata
No pálido cristal do espelho dos teus olhos.
sábado, 1 de julho de 2017
A CASA AZUL – Talis Andrade
Eu poderia ser feliz
em uma casa azul
à beira de um lago
em uma casa azul
à beira de um lago
Uma casa azul
ladeada por árvores
uma casa azul
com varandas
nos lados
uma casa azul
com varandas
nos lados
Uma casa azul
com sinos de vento
e o canto dos pássaros
eu poderia ser feliz
e o canto dos pássaros
eu poderia ser feliz
Se existisse uma casa azul
de tão bonita a casa
talvez você consentisse
em morar comigo
de tão bonita a casa
talvez você consentisse
em morar comigo
À ESPERA DOS BÁRBAROS – Konstantino Kaváfis
O que esperamos na ágora reunidos?
É que os bárbaros chegam hoje.
Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?
É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.
Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?
É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.
Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?
É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.
Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?
É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloquências.
Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?
Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.
Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.
É que os bárbaros chegam hoje.
Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?
É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.
Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?
É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.
Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?
É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.
Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?
É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloquências.
Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?
Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.
Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.
quarta-feira, 14 de junho de 2017
TEU CORPO – Rafael Rocha
Para mim teu corpo é
sempre o mesmo corpo.
Não envelhece. Não
tem rugas. Sempre o mesmo.
Até quando escrevo
um poema olhando um outro
de qualquer outra mulher
eu vejo o teu vivaz e lindo.
Eu sei que o tempo
torna as coisas carcomidas
mas teu corpo em mim
continua sempre novo.
Sempre como aquele
de décadas antigas
esperando meus
beijos e minhas carícias.
Irei assim
acompanhando essa imagem de teu corpo
ainda que nós ambos
estejamos desenvoluindo
e tendo outros olhos
a olhar para outros corpos
fingindo e mentindo
que ainda são os de antes.
Mas para mim teu
corpo é sempre o mesmo corpo
onde redescubro
sonhos e desejos de paixão.
Sim! Sim! Porque
estamos vivos na paisagem
e não custa sonhar e
acreditar que somos e somamos.
Tudo isso serve para
a gente espantar a morte
como a beber uma
cerveja, um vinho ou um licor.
Viver é uma bebida
venenosa a matar lentamente
e isso nós sabemos e
criamos antídotos com o olhar.
O teu corpo vem em
sonhos e traz variedades
dos momentos de
quando o destino bateu na porta
e de quando nunca e
jamais as nossas saudades
foram ideias mortas.
Para mim teu corpo é
sempre o mesmo corpo.
Não envelhece. Não
tem rugas. Sempre o mesmo.
É um poema para meu
olhar envelhecido de hoje.
HOMENAGEM A CHE GUEVARA
O jornal HUMANITAS, do Recife/PE, edição nº 60, junho de 2017,
homenageia a data de nascimento do Che Guevara
- 14 de junho de 1928 -
com a publicação de um poema de sua autoria na PÁGINA 3
segunda-feira, 5 de junho de 2017
A TUA MORTE EM MIM – Adolfo Casais Monteiro
À memória de Raquel Moacir
A tua morte é sempre nova em mim.
Não amadurece. Não tem fim.
Se ergo os olhos dum livro, de repente
tu morreste.
Acordo, e tu morreste.
Sempre, cada dia, cada instante,
a tua morte é nova em mim,
sempre impossível.
E assim, até à noite final
irás morrendo a cada instante
da vida que ficou fingindo vida.
Redescubro a tua morte como outros
descobrem o amor,
porque em cada lugar, cada momento,
tu estás viva.
Viverei até a hora derradeira a tua morte.
Aos goles, lentos goles. Como se fosse
cada vez um veneno novo.
Não é tanto a saudade que dói, mas o remorso.
O remorso de todo o perdido em nossa vida,
coisas de antes e depois, coisas de nunca,
palavras mudas para sempre, um gesto
que sem remédio jamais teve destino,
o olhar que procura e nunca tem resposta.
O único presente verdadeiro é teres partido.
A tua morte é sempre nova em mim.
Não amadurece. Não tem fim.
Se ergo os olhos dum livro, de repente
tu morreste.
Acordo, e tu morreste.
Sempre, cada dia, cada instante,
a tua morte é nova em mim,
sempre impossível.
E assim, até à noite final
irás morrendo a cada instante
da vida que ficou fingindo vida.
Redescubro a tua morte como outros
descobrem o amor,
porque em cada lugar, cada momento,
tu estás viva.
Viverei até a hora derradeira a tua morte.
Aos goles, lentos goles. Como se fosse
cada vez um veneno novo.
Não é tanto a saudade que dói, mas o remorso.
O remorso de todo o perdido em nossa vida,
coisas de antes e depois, coisas de nunca,
palavras mudas para sempre, um gesto
que sem remédio jamais teve destino,
o olhar que procura e nunca tem resposta.
O único presente verdadeiro é teres partido.
AFOGAMENTO – Adriane Garcia
Há um desejo
De imersão das águas
Adentrando narinas
De imersão das águas
Adentrando narinas
Um treinamento
Pelo não desespero de
Afogar-se
Pelo não desespero de
Afogar-se
Desejo da palavra aquática
Da palavra amniótica
Da palavra silenciosa
Dos peixes
Da palavra amniótica
Da palavra silenciosa
Dos peixes
Não
um coração batendo
Que os assuste.
Que os assuste.
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