sábado, 2 de outubro de 2021

ABRACADABRAS – Gilberto Felinto

 

Abre - te coração
para a magia do amor ,
tinge a desilusão
com sua nova cor.
Transmutação do vinho,
à água do viver.
reparte o pão da vida,
o mundo a acolher.
Faça-te luz canção
no breu vem multicor,
tinture o camafeu,
safiras sonhos são.
taça de dom, campeão,
no pódio sonhador.
segure seu troféu
que o mel é pros que dão.
Dão coração calor, a força e o perdão.
Brinca de esconde -esconde
sonde o teu lugar.
Seja arco-íris, ponte,
um outro a procurar.
Em fantasias monte
castelos de isopor.
No mar defronte,
beba essa porção do amor.
Cante o coral ardente do existir,
no ar cadente fogos teu calor.
Mundo aparente em mãos faça real,
brinque nos jogos fartos do prazer.
faça as estripulias do arlequim,
dance nas vias livres sem ferir.
Em voos cadentes de mil festas,
abra sorrisos sem arestas
deixe o candor das veias
te fluir.
você vestígios de carinho em mim,
meu barco doce quebra-mar vital,
o azul marinho do seu ser cetim,
dissolve as dores do mundo abissal.

QUERO - Miriam Bilhó

 

Quero beijar teu ser
Sem elos livremente
Flutuar em nuvens
Sem medos desatando
Nós que aprisionam
Mãos dadas quentes
Carícias plenas
Sem dúvidas
Em prontidão
Ultrapassando fronteiras
Chegando a Shangri-la
Em castelos aconchegantes
Cultuando a Afrodite
A espalhar o amor
Sentindo, apalpando
Penetrando, aprofundando
Em doidivanas emoções
Explosão de êxtase
Repartido, sentido
Eu me dando a ti
Constante emoções
Nesta fulminante paixão
Na calmaria das águas
Claras e mansas
Desse oceano sem fim
Me entrego em sonhos
A relembrar o vivido
E me lanço no doce abraço
Das ondas envolventes
Desse amor que me entorpece
E me aquece sufoca e dilacera
Ao mesmo tempo dá vida
E acalma e jamais
Saí da alma

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

OUTUBROS – Rafael Rocha

 

Em setenta e dois outubros
multiplico sonhos
e busco conhecer
coisas nunca vistas.
Renovo meu corpo
tropeçando ao vagar
buscando novas sensações
dentro do ar.

Busco os amigos colhidos
depois das semeaduras
abro braços amplos
para novos abraçamentos.
Ao mundo entrego as mãos
com todos os adeuses
e aos olhos crio paisagens
às visões novas.

(Ainda sou o mesmo
do primeiro dia distante
quando o cheiro do mar de Olinda
inflamava meu olfato)

Aos setenta e dois outubros
redescubro a vida.
Reinvento a vida
e todos seus sonhares.