Mostrando postagens com marcador avó. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador avó. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de maio de 2022

POEMAS de Vitor Resquin

 

ESPELHO ENTERRADO

Vertigens dos trópicos e a febril América Latina.
Mariposas dos sonhos cintilam ao redor do candeeiro
à procura de calor.
Corpos mestiços, terra sangrada.
Rastos de meu avô Guarani
– Espelho enterrado, empoeirado, um retrato 3×4.
Ao fundo, uma Gameleira-branca
alteia o vestido de minha avó.
E o Paraguai nunca esteve tão perto das mãos
– ou, talvez, tão longe.

A mão que me afaga a pele:
duerme, duerme, negrito
que tu mamá está en el campo

Galgada a fronteira,
o chão borbulha,
meu corpo ferve.
.......
BANZO

São dois rios intransponíveis,
coisa que paira e bruma acumula.

A pressa ainda é menina e disfarça dor,
beijos em velame-do-campo,
mil estrelas, ainda, banzam meu amor.
.......
TEMPO (IROKO)

Lavar os pés do Tempo
e se recolher à margem de sua cama,

deita o arrebol junto ao corpo,
salgado no rosto.
.......
RETRATO

Peneira ninando grão
e o sol gargalha
nos olhos do meu bem.
.......
CANAVIAIS

Vento no canavial,
já não mais vasculhamos
os espaços deixados pela saudade,
deixa para mais tarde.