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segunda-feira, 16 de maio de 2022

OUVE – Gilson Pereira de Araújo

 

Haverá sempre um ouvido a ouvir
As queixas que deixas a preencher o vazio.
Não serão vãos teus lamentos, perdidos
Na distância que te afasta de quem te quer ouvir.

Preencherão o espaço, invisível aos olhos
Que se alegram no que se dissipa à flor dos lábios,
Mas persistem naqueles que enxergam almas
Nas vozes que galopeiam os sentimentos a vagar.

Dói-me tua ausência, que se firma a cada dia,
A desenganar-me da esperança que se oferece
Sem que se faça real, do sonho que alimento,
O passado que amo e que presente quero.

Ouvidos ouvem os gemidos de minh’alma,
Como se nada fosse dito no silêncio que alimento.
Parece-me vão o sentimento sentido em teu louvor.
E, desejo o silencio que se deseja por eterno.

O caminho, inevitavelmente, só estreita e encurta
E o passado é lembrança que não se goza estando só
Passos de um caminho sem começo
Que não me acompanham nem me causam tropeço,

Seguem a mesma trilha sem que me mostre o rumo,
E, assim, sigo insano em permanente prumo.
Ouvidos ouvem, dessa dor, inerte, o vão lamento
Sem que o coração sinta a causa do sentimento.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

POESIAS de Fernanda Benevides

 

ENCONTRO E DESENCONTRO

Eis que encontrei o Pequeno Príncipe
ao longo do caminho.
Empreendia, obstinado,
tarefa árdua e delicada.
Recuperava um jardim abatido pela tempestade.
Cultivava flores mutiladas.
Rosas despedaçadas...
Especialmente,
cuidava de uma roseira que não brotava.
Sempre que despontava o botão,
o vento o queimava.
Ele insistia.
Extirpava os baobás que se insurgiam.
E recomeçava.
Com o decorrer do tempo,
o arbusto se fortalecia.
Crescia com a magia do seu carinho.
A planta tornou-se viçosa.
A rosa preparava-se.
Sonhava abrir-se em suas mãos tenazes.
Queria dar-se-lhe.
Florir em seu coração.
Mas, o principezinho relutava.
E refutava-a.
Almejava vê-la sarada.
Era tudo que desejava.
Não obstante,
a rosa o amava.
Precisava de seu amor para viver.
Sem ele, não existia.
E chorava. Sofria.
Por sua vez, ele padecia.
Não gostava de magoá-la
e o fazia.
A rosa sangrava.
Doía.
Desejava-o e o queria.
Entretanto,
ele balançava-se,
mas não cedia.
Gostaria de vê-la liberta,
a germinar sozinha.
Hoje,
a rosa está pronta e sorri.
Longe do Colibri.
.....................................
CAÇADOR DO INVISÍVEL

O Poeta é caçador do invisível.
Vê o que não se ver.
Enxerga o que não se encontra.
Descobre o que n ao se sabe.
E sabe o que não se conhece.

Vai além do horizonte.
Colhe o arco-íris.
E espalha suas cores
Sobre as cicatrizes.

O Poeta é caçador do invisível.
Colhe o essencial do intangível.

Baila no Infinito.
Embaralha as estrelas.
E decifra-as com outros códigos.
Outras cifras.

O Poeta é caçador do invisível.
Busca o que não se encontra.
E encontra o que não se procura.
Recria e nomeia o indizível.

E vai além, onde não se alcança.
Cheio de Esperanças.
E traz a menina de tranças.
Ou, o menino que se embalança.

O Poeta é caçador do invisível.
Realiza façanhas incríveis.