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quinta-feira, 7 de abril de 2022

MEU ANSEIO – Francisco Egídio Aires Campos

 

O meu desejo constante
É ver surgir o instante
Embora tardiamente,
Aonde me seja dado
Poder cumprir o meu fado
Falando o que o peito sente.

Conclamar a humanidade
Antes que seja tarde
Mude seu procedimento,
Respeitando a natureza,
Não destruindo a beleza,
Usar mais comedimento.

Que os jovens sejam educados
Por programas já voltados
A transformar-lhes o pensar,
Que os faça agir diferente,
Que não sejam como a gente,
Que comecem a restaurar.

Que surjam gerações novas
Que já venham dando provas
De haver compreendido,
Que só salvarão o mundo
Agindo sempre segundo
O que tenho difundido.

Que repovoem as florestas,
E que restaurem o que destas
Já havíamos destruído,
Que a mata atlântica replantem,
E que um novo hino cantem
Após o haver conseguido.

Que despoluam os rios,
E aumentando seus brios
Os repovoem também,
Restaurem as terras exauridas
Que entendam que todas as vidas
De só uma força provém.

Que respeitem as vocações
Da terra, e tirem lições
De tudo que ela ensina,
Usem os campos para o gado
E não destruam os cerrados,
Modifiquem suas sinas.

Protejam nossas nascentes,
Respeitem as vidas das gentes,
Que antes aqui já haviam,
Que viviam nas florestas,
Em harmonia com estas,
E aprendam o que sabiam.

Que acabem a poluição,
Deixem de lado o carvão,
Não usem o petróleo mais....
Seus dejetos reaproveitem,
Que a vida em geral respeitem,
Mormente as dos animais.

Quando todos agirem assim
Haverá na terra enfim
A força restauradora
Que tudo consertará,
E a vida reinará
De forma mais duradoura.

sábado, 26 de março de 2022

RETRATO DA MULATA – João Salomé Queiroga

 

Crespa madeixa
Partida em duas,
As fontes tuas
Cercando assim,
Parece largo
Diadema airoso
De muito lustroso
Preto cetim.

Que bem te assentam
Faces vermelhas
E sobrancelhas
Cor de carvão!
Jabuticabas
Frescas, brilhantes,
Como diamantes
Teus olhos são.

Se a mim os volves
Amortecidos,
E derretidos
Em doce amor,
As negras franjas
A custo abrindo,
E despargindo
Terno langor!

Ah! que então sinto
Um tão amável,
Tão inefável,
Vivo prazer,
Que extasiado
No gozo ativo
Se morro ou vivo
Não sei dizer.

Em tuas faces
Brilha serena
A cor morena
Do buriti:
Teus lábios vertem
Rósea frescura,
Cheiro e doçura
Do jataí.

E quando os abre
Do rir e ensejo,
Pérolas vejo
Entre corais:
Como são belos
Assim molhados!
De amor gerados
Me arrancam ais.

Para roubar-me
Cinco sentidos,
Tens escondidos
Certos ladrões
Dentro do seio,
Bem disfarçados,
E transformados
Em dois limões.

A tua airosa
Bela cintura
O gosto apura
Em estreitar,
E o mais que à vista
O pejo oculta
Vontade exulta
Só de pensar.

Já que pintei-te,
Minha querida,
Vênus nascida
Cá no Brasil,
Em prêmio dai-me
Muxoxos, queixas,
Quindins, me deixas,
E beijos mil.