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terça-feira, 31 de maio de 2022

OS CAMPOS IMAGINAM – Cissa de Oliveira

 

Como diz Herberto
“...os campos imaginam
as suas próprias rosas...”

É setembro por aqui e as flores
tilintam bem devagar as pestanas
antes de se incendiarem em cores vivas.

São fiéis os jornais locais e noticiam
junto com o fogo constante
do pregão da bolsa de valores,
as fotografias da cidade:
numa, a explosão das violetas,
dos gerânios, das papoulas,
ou mesmo de um tapete de ipês dourados
- resto de inverno bordado na calçada,
noutra, o céu sob o contraste vinho
da uma tardinha
mansa como a brincadeira da brisa
no balanço do vestido.

Eu viro a página, é preciso,
mas vou me perguntando se toda a gente
prende a vista nas fotografias
assim como nos noticiários.

Não sei porque eu penso nisso,
e é tão nítido quanto o mercúrio
das luzes incandescentes das cidades,
ou quanto a tua risada,
esse incêndio de cristal que sempre se noticia
na minha alma.

terça-feira, 5 de abril de 2022

ALEGRIA DE DEITAR - Marcelo Torres

 

É na vicissitude
bruxaria orgânica
sob a folha/noite
que o luzir
nos espera
deixa todos
à sós com a talhadeira
intratável
repousa sobre a runa
lastimosa
essa felicitação
pois não estás
no baile
cultuando astros
crespos lagos
as cidades
não são de barro
desbotadas
por suas unhas
acachapado
sob a forma rupestre
de teu sexo
toco-o
com a alegria
de deitar
em uma fazenda
de horizontes
inalcançáveis
não sei onde estou
nesse intervalo/júbilo
impreterível
reparos
na máquina/semântica
para tanto
tesão retido
ser longitude
no mapa-múndi