Mostrando postagens com marcador cristal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cristal. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 31 de maio de 2022

OS CAMPOS IMAGINAM – Cissa de Oliveira

 

Como diz Herberto
“...os campos imaginam
as suas próprias rosas...”

É setembro por aqui e as flores
tilintam bem devagar as pestanas
antes de se incendiarem em cores vivas.

São fiéis os jornais locais e noticiam
junto com o fogo constante
do pregão da bolsa de valores,
as fotografias da cidade:
numa, a explosão das violetas,
dos gerânios, das papoulas,
ou mesmo de um tapete de ipês dourados
- resto de inverno bordado na calçada,
noutra, o céu sob o contraste vinho
da uma tardinha
mansa como a brincadeira da brisa
no balanço do vestido.

Eu viro a página, é preciso,
mas vou me perguntando se toda a gente
prende a vista nas fotografias
assim como nos noticiários.

Não sei porque eu penso nisso,
e é tão nítido quanto o mercúrio
das luzes incandescentes das cidades,
ou quanto a tua risada,
esse incêndio de cristal que sempre se noticia
na minha alma.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

NA PISCINA – Gilberto Avelino

 

 Aquém do mar,  
a piscina 
de águas azuis.

 As sombras,  
os ventos,  
as mesas,  
brancas,

 circulando 
a piscina.

 A suavidade 
da água de cocos. 
Ou o doce e fino 
sabor 
da água das fontes,

 após 
comer-se 
a leve gordura dos cascos,  
a clara carne 
das patas 
dos vermelhos 
caranguejos cozidos.

 Ainda,  
a carne seca,  
assada nas brasas,  
flamejando.

 Em copos de cristal,  
a tênue espuma 
do vinho 
branco 
ou tinto,

 com verdes-azeitonas 
boiando.

 Enterneciam a manhã 
os blues 
de Louis Armstrong.

 Aquém do mar,  
a piscina 
de águas azuis.

 De repente 
vinhas,  
a davas ao corpo 
a carícia das águas.

 Com o exíguo vestir,  
em relevo expunhas 
ao sol

 o viço 
da inapagável beleza 
do teu corpo.

 E do olhar 
nasciam-me 
salsas enlaçantes.

 Não te esqueças,  
portanto,  
girassol de dezembro,

 de que sempre volto 
a ver 
o azul dessas águas.