Olha esta gota de água cristalina:
é tão leve, tão tênue e pequenina,
que a sede vegetal mais estimula,
e nem ao menos molha
do lírio o hastil, o cálice ou a folha,
em que, líquida pérola, tremula;
dir-se-ia um pingo de sidéria mágoa.
Tu, que já penetraste os oceanos
e devassas recônditos arcanos,
não a desprezes, olha-a:
que vês na gota cristalina de água?
Nela se espelham fúlgidos, celestes
prismas, que a luz exterior difunde,
como em puro diamante lapidado.
Mas se o olhar limitado
de uma lente revestes,
porque a vista sagaz mais se profunde,
verás, então, do turbilhão da Vida,
urdirem novos seres, e estes seres
aumentando-se em linha indefinida,
de modo a não poderes
contar sequer seu número. Detém-te
e observa a formação vária, infinita
dos corpos, cujo frêmito latente
um mesmo protoplasma anima e agita.
Mas não! O olhar perturba-se em vertigens
de febril paroxismo.
Nem procures saber-lhes as origens,
a esses entes anônimos, que viste.
Para o perscrutador olhar humano,
como no grande, existe
no infinito minúsculo – um abismo.
Homem, na gota de água há um oceano!
O Grande Ateop nasceu do choque de uma constelação fantástica de treze estrelas lá nos limites insondáveis do universo. O Grande Ateop não teve pai nem mãe e nenhum deus ou deusa para gerar sua vida. Sua idade é de bilhões de anos e seus escritos estão em todos os murais das civilizações humanas universais.
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sexta-feira, 20 de maio de 2022
VIDA! - Augusto de Lima
sábado, 30 de abril de 2022
POEMAS de Sílvio Roberto Santos
VÉRTICE
Há flores triangulares
que não vivem de sugar o sol.
Brotam cotidianas em qualquer quintal.
Seu néctar, sal que cheira à vida.
De cor vária são tais flores.
Dissimuladas,
conduzem o segredo existencial.
Diminutas, ofuscam.
Percebidas, atormentam.
Inexistentes, devoram.
Dessas flores o perfume tem diversas faces
em pétala única.
No decorrer das noites, escorrem doces
num movimento definitivo,
e, furtivas, ouvem o crepitar humano.
Em manhãs assépticas, surgem renovadas
nos galhos plásticos do varal,
e quase são pássaros.
..........
CONTINGÊNCIA
Chegas, e estás vestida de alegria
para uma festa em que serei silêncio...
Tua proximidade aquece e vence o
tempo nu, nesta noite tão vazia...
E chegas para não ficar — sabemos.
Assim a vida molda os desencontros
e vamos nos perdendo nos encontros
onde é urgente o que jamais vivemos...
Partes, e minha dor mais escurece
estas horas imóveis... Tua ausência
um pouco de perfume mais acresce...
Espera-te, feliz, alguém à frente...
E porque poderias sem urgência
Ficar, partindo ficas permanente...
Há flores triangulares
que não vivem de sugar o sol.
Brotam cotidianas em qualquer quintal.
Seu néctar, sal que cheira à vida.
De cor vária são tais flores.
Dissimuladas,
conduzem o segredo existencial.
Diminutas, ofuscam.
Percebidas, atormentam.
Inexistentes, devoram.
Dessas flores o perfume tem diversas faces
em pétala única.
No decorrer das noites, escorrem doces
num movimento definitivo,
e, furtivas, ouvem o crepitar humano.
Em manhãs assépticas, surgem renovadas
nos galhos plásticos do varal,
e quase são pássaros.
..........
CONTINGÊNCIA
Chegas, e estás vestida de alegria
para uma festa em que serei silêncio...
Tua proximidade aquece e vence o
tempo nu, nesta noite tão vazia...
E chegas para não ficar — sabemos.
Assim a vida molda os desencontros
e vamos nos perdendo nos encontros
onde é urgente o que jamais vivemos...
Partes, e minha dor mais escurece
estas horas imóveis... Tua ausência
um pouco de perfume mais acresce...
Espera-te, feliz, alguém à frente...
E porque poderias sem urgência
Ficar, partindo ficas permanente...
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