Olha esta gota de água cristalina:
é tão leve, tão tênue e pequenina,
que a sede vegetal mais estimula,
e nem ao menos molha
do lírio o hastil, o cálice ou a folha,
em que, líquida pérola, tremula;
dir-se-ia um pingo de sidéria mágoa.
Tu, que já penetraste os oceanos
e devassas recônditos arcanos,
não a desprezes, olha-a:
que vês na gota cristalina de água?
Nela se espelham fúlgidos, celestes
prismas, que a luz exterior difunde,
como em puro diamante lapidado.
Mas se o olhar limitado
de uma lente revestes,
porque a vista sagaz mais se profunde,
verás, então, do turbilhão da Vida,
urdirem novos seres, e estes seres
aumentando-se em linha indefinida,
de modo a não poderes
contar sequer seu número. Detém-te
e observa a formação vária, infinita
dos corpos, cujo frêmito latente
um mesmo protoplasma anima e agita.
Mas não! O olhar perturba-se em vertigens
de febril paroxismo.
Nem procures saber-lhes as origens,
a esses entes anônimos, que viste.
Para o perscrutador olhar humano,
como no grande, existe
no infinito minúsculo – um abismo.
Homem, na gota de água há um oceano!
O Grande Ateop nasceu do choque de uma constelação fantástica de treze estrelas lá nos limites insondáveis do universo. O Grande Ateop não teve pai nem mãe e nenhum deus ou deusa para gerar sua vida. Sua idade é de bilhões de anos e seus escritos estão em todos os murais das civilizações humanas universais.
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sexta-feira, 20 de maio de 2022
VIDA! - Augusto de Lima
domingo, 8 de maio de 2022
POEMAS de Mariana Artigas
DESVARIO
Noites em claro
Dias no escuro,
Antecedendo
As chuvas de março
As moiras
Tecem o destino sorrateiro.
De mansinho,
Imediato e forasteiro
O vento oscilando,
Ancoradouro de uma
Tempestade,
Pressente e adivinha
Através das linhas
Do meu corpo,
Que o sal
Dos meus olhos
A terra há de comer.
.......
INCORPÓREA
Incorpóreas somos espectros
Uma das outras,
Tomando lugar no corpo
De mulheres que mantinham
O olhar cabisbaixo,
Para fazer nascer mulheres
Que se recusarão a olhar para baixo.
O anjo do lar ousou seduzir
Envolto em aromas e beijos
Trazendo lampejos irreais.
E das nossas mães e avós
Carregávamos uma linhagem
De mulheres que apenas poderiam
Ter sido.
E como presságio do destino
O nome do pai de seus filhos
Não constava no registro,
Incorpórea vida invisível.
.......
VOZ ALTA
Em todos os movimentos
Em todos os silêncios
Vou buscando em teus cabelos
As respostas para as coisas
Que me acontecem
Enquanto vou tropeçando
Ao redor dos dias
Vou percebendo que planejo,
Planejo um mestrado.
E vivo assim alugando um apartamento
Sem perceber que alugo também
Afetos estrangeiros
Alugo os ratos e as baratas,
O som dos vizinhos e o tilintar das taças.
Alugo os territórios em volta,
E o cachorrinho da vizinha
Do apartamento oitenta e três.
E nada mais direi amor,
Sobre os beijos do vento quando tocam
Meu rosto, meio assim de lado.
E restam apenas percepções visuais
Em meio a ruas pandêmicas
De uma paisagem extinta, enquanto leio
Seu destino em voz alta.
Noites em claro
Dias no escuro,
Antecedendo
As chuvas de março
As moiras
Tecem o destino sorrateiro.
De mansinho,
Imediato e forasteiro
O vento oscilando,
Ancoradouro de uma
Tempestade,
Pressente e adivinha
Através das linhas
Do meu corpo,
Que o sal
Dos meus olhos
A terra há de comer.
.......
INCORPÓREA
Incorpóreas somos espectros
Uma das outras,
Tomando lugar no corpo
De mulheres que mantinham
O olhar cabisbaixo,
Para fazer nascer mulheres
Que se recusarão a olhar para baixo.
O anjo do lar ousou seduzir
Envolto em aromas e beijos
Trazendo lampejos irreais.
E das nossas mães e avós
Carregávamos uma linhagem
De mulheres que apenas poderiam
Ter sido.
E como presságio do destino
O nome do pai de seus filhos
Não constava no registro,
Incorpórea vida invisível.
.......
VOZ ALTA
Em todos os movimentos
Em todos os silêncios
Vou buscando em teus cabelos
As respostas para as coisas
Que me acontecem
Enquanto vou tropeçando
Ao redor dos dias
Vou percebendo que planejo,
Planejo um mestrado.
E vivo assim alugando um apartamento
Sem perceber que alugo também
Afetos estrangeiros
Alugo os ratos e as baratas,
O som dos vizinhos e o tilintar das taças.
Alugo os territórios em volta,
E o cachorrinho da vizinha
Do apartamento oitenta e três.
E nada mais direi amor,
Sobre os beijos do vento quando tocam
Meu rosto, meio assim de lado.
E restam apenas percepções visuais
Em meio a ruas pandêmicas
De uma paisagem extinta, enquanto leio
Seu destino em voz alta.
terça-feira, 1 de março de 2022
POESIAS DE Sirlânio Jorge Dias Gomes
TEU OLHAR
Ao teu olhar meu coração se aquece,
Fogo que minh'alma incendeia,
Abrasar contínuo de tal afeto,
Que não se acaba com a morte,
Consorte de amores de afago finito,
Memórias da eternidade,
Joia do amor padece.
Ao teu olhar,
Basta-me o teu querer,
Solene confissão da intimidade,
Segredando a beleza,
Desta existência em vendavais,
Imitando a serenidade das coisas,
Nos ventos incompreensíveis.
Ao teu olhar me encontro,
Reinvento-me feito poesia,
A cada verso afeito em sonhos,
Em seus paralelos humanos,
Premissas dos borbotões da vida,
Descalços pelo caminho.
............................
POLIMORFIA
Gira o ponteiro do relógio em sua toca,
Invisível e real celeiro de ferozes seres,
Alados, decapitados, amordaçados,
Ilustres moradores do tempo,
Abraçados aos seus cadafalsos,
Amontoado silêncio gélido,
Ilustrando os pálidos tesouros,
Abrigando criaturas infestas.
Funesto caminho irrompe a alma,
Assaz perdida no tempo,
Redemoinhos de fantasmas,
Atemorizando suas fiéis imagens,
Com seus gritos enfadonhos,
Gruir da infinda morte,
Sob asas do pesadelo,
Ambíguos infernos,
Aos olhos de quem os criou.
Ao longe a canção sidérica,
Se faz ouvir no mutismo dos mundos,
Vibrações de plasmas quiméricos,
Recriando submundos indefinidamente,
No imenso caos da casualidade,
Onde os infernos se fundem,
No desalinho de cada vontade,
Consentido querer ao livre-arbítrio,
Condenado desejo decaído,
Sob o contínuo girar do ponteiro,
Em suas portas exequíveis.
Ao teu olhar meu coração se aquece,
Fogo que minh'alma incendeia,
Abrasar contínuo de tal afeto,
Que não se acaba com a morte,
Consorte de amores de afago finito,
Memórias da eternidade,
Joia do amor padece.
Ao teu olhar,
Basta-me o teu querer,
Solene confissão da intimidade,
Segredando a beleza,
Desta existência em vendavais,
Imitando a serenidade das coisas,
Nos ventos incompreensíveis.
Ao teu olhar me encontro,
Reinvento-me feito poesia,
A cada verso afeito em sonhos,
Em seus paralelos humanos,
Premissas dos borbotões da vida,
Descalços pelo caminho.
............................
POLIMORFIA
Gira o ponteiro do relógio em sua toca,
Invisível e real celeiro de ferozes seres,
Alados, decapitados, amordaçados,
Ilustres moradores do tempo,
Abraçados aos seus cadafalsos,
Amontoado silêncio gélido,
Ilustrando os pálidos tesouros,
Abrigando criaturas infestas.
Funesto caminho irrompe a alma,
Assaz perdida no tempo,
Redemoinhos de fantasmas,
Atemorizando suas fiéis imagens,
Com seus gritos enfadonhos,
Gruir da infinda morte,
Sob asas do pesadelo,
Ambíguos infernos,
Aos olhos de quem os criou.
Ao longe a canção sidérica,
Se faz ouvir no mutismo dos mundos,
Vibrações de plasmas quiméricos,
Recriando submundos indefinidamente,
No imenso caos da casualidade,
Onde os infernos se fundem,
No desalinho de cada vontade,
Consentido querer ao livre-arbítrio,
Condenado desejo decaído,
Sob o contínuo girar do ponteiro,
Em suas portas exequíveis.
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