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quarta-feira, 4 de maio de 2022

PREMONIÇÃO - Daniel Perroni Ratto

 

Fiz como todos que estão
em busca do Elo Perdido
O mundo procura a evolução
As mais variadas classes do esgoto
Música envolvente. A minha canção.
Presentes de fases no submundo
atuante da marginalidade periférica e ovalada.
Calamidade social doentia contagia a trama.

Sociedade autodestrutiva, amor!
A jornada se estende por entres farrapos humanos
vistos na rua deserta de pavor.
Nas ruas somente os mortos-vivos
sem-terra sem-teto sem-nada
Visão apocalíptica do passado pouco remoto
onde flores apareciam nas janelas.
Perseguido pela polícia cai da moto
Fazia conexão nas favelas.

Veja você em que letargia
do movimento fast me encontro.
Casos do Neoliberalismo Fascista
Pós-Moderno
E viva o modelo social vigente!
Culturalmente proibido
para menores de três anos!
Ritmo da pistola potente
Faz rir as balas dos canos.

Viagens paraformais daqueles
Neo-Hippies Yuppies Junkies Espíritas
A real verdade inspira os espertos
de mente aberta ao desespero
das fugas populacionais
com medo do fracasso
a frustração do lado da TV
com a latinha de cerveja na mão.

Corrida contra o tempo!
Veneno aberto
Isso é a evolução, baby!
Vamos à revolução!
Essa é minha causa!
A busca do nada!
Que não o centro! O cetro!
Coral de virgens na igreja
a cantar o fim do mundo

Da Evolução!
Persevera a Vera valente
carente da teta que tinha maneta!

Prisões falidas
Meu jazigo encontrarei velho sem dó
que esperará a passagem
do profeta das palavras!

Loucura inevitável
Esclerose do dia a dia
realidade crua! Nua! Depravada!

O erotismo não é mais o mesmo!
O cibernético implante biônico
o chip de contrabando implantado
o sexo virtual inflável

E mapas infravermelhos fazem
a leitura da verdade nos sonhos!

Como saber da estória do amanhã?

O planeta Terra acaba de ser vendido
para a Multiuniversal Marciana.

domingo, 1 de maio de 2022

POEMAS DE Sílvia Chueire

 

MAR

cola a tua boca
no mar que sou
o sal e as ondas

derramadas.

ouves o marulhar
na respiração ritmada
que cresce
e desliza na praia?

às vezes é tudo tão azul
que ofusca
...................
ANOITECER

Anoitece de todas as maneiras,
a escuridão imiscuída entre as ruas
é um silêncio de ausências e omissões.
Caem as casas na cidade desolada,
caem os pensamentos,
feito espinhos,
e os homens recolhem-se à melancolia,
à melancolia áspera das coisas.

Não há redenção no amor
quando a pele a descolar dos ossos
é um vento as invadir cada minuto.
.......................
ERMA

É erma a noite
sangra pela tua ausência.

Incisão oblíqua
desfiando dor e desejo.

A um só tempo
réquiem e blues.
...............
IMAGINA

imagina homens que caem como coisas
a descrever um caminho estranho,
um trajeto helicoidal
- a repetir atos não exatamente iguais -
que apenas encobre a reta inadiável.

imagina a terra que os recebe todos,
a receber as coisas, os homens,
silenciosamente.
e devolver-nos natureza, esplendor,
na sua geografia inexata,
mas eficiente.
um sem-fim de vozes.
..................
NAUFRÁGIO

naufraguei nas tuas costas
ó país dos desalentos.

perdi-me nas tuas águas
a tempestade a varrer-me
o corpo em ascendido movimento

soube assim da crueldade dos gestos
da inutilidade das palavras
.....................
NO ESCURO

a noite é uma sucessão de horas no escuro.
não importa, nada importa.
mais uma vodka,
uma garrafa de bom vinho,
uma carreira branca,
mais uma canção a ser cantada
com a garganta trêmula
do sentimento que acossa.
o blues magistral fatia a noite.

é tarde,
esgotam-se as horas,
a mão se inquieta,
crônicas, as palavras se deitam
sobre o bloco
apanhado ao acaso.

O corpo se ressente de ausências
e cai
nos velhos braços jovens da noite.
risos e mais um dança
antes do amanhecer
sobre lençóis suspeitos.

é a vida, diria depois,
condescendamos.

domingo, 6 de março de 2022

O RESSURGIR DA FÊMEA – Silvia Mota

 

Não sei bem como iniciar essa história,
essa aventura ou loucura...

Vivo um momento primeiro
que me comanda o espírito,
preenche o coração e
satisfaz o corpo.

Apaixono-me pelos próprios olhos
ao simples motivo de que enxergam.

Gosto da palavra redescoberta para a sedução
e do sorriso que escapa na malícia.

Sonho tal qual adolescente apaixonada
e sinto aperto no peito ao som dessa canção...

Galanteio o espelho
e adorno de rosa o cabelo,
sentindo-me bonita e cativante.

As lingeries coloridas e rendadas
harmonizam-se com a roupa exterior,
no afã de provocar a carícia do teu olhar.
Sou fêmea no estro.
És jovem macho.

Na realidade, escrevo-te a ti,
em homenagem à voz que me encanta o ouvido,
ao sorriso que me embeleza as manhãs,
ao corpo que me deslumbra e seduz
ao cair do dia...