E o rio que era doce?
A lama matou.
E os peixes, a vida, a população ribeirinha?
A lama matou.
E os sonhos, os desejos, as virtudes e tudo?
A lama matou.
A lama que escorre,
o líquido podre, chorume das almas
dos homens da Vale,
dos homens de cifras,
números,
contratos,
benefícios,
financiamentos de campanhas.
Homens sem poesia,
sem piedade,
sem pêsames,
sem arrependimento.
O rio sem vida vai gritando até o mar
pela justiça que nunca veio,
mas ninguém ouve, estamos surdos
não temos ouvidos para o rio.
O rio se foi,
se perdeu.
E nenhuma urgência é maior
que o rio estendido sem vida no mundo.
O rio morto era doce, acabou.
O Grande Ateop nasceu do choque de uma constelação fantástica de treze estrelas lá nos limites insondáveis do universo. O Grande Ateop não teve pai nem mãe e nenhum deus ou deusa para gerar sua vida. Sua idade é de bilhões de anos e seus escritos estão em todos os murais das civilizações humanas universais.
Mostrando postagens com marcador lama. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lama. Mostrar todas as postagens
sábado, 16 de julho de 2022
RIO DOCE - André Merez
sexta-feira, 1 de abril de 2022
PRIMEIRO DE ABRIL – Valdeci Ferraz
Menino,
Onde você estava quando quebraram a manhã
E soltaram os elefantes pelas ruas?
Enquanto seus pés chutavam sapotis
Coturnos sem alma esmagavam as flores
E os fuzis anunciavam uma noite sem fim.
Menino,
Você não ouviu o pio triste
De um pássaro sufocado
Pelas cordas de um violino mudo?
Não reparou na cor do vento,
Nas rugas das árvores,
Nos bancos das praças?
Menino,
Trocaram o seu uniforme
Pelo aborto de um sonho invertido
Para manter a pergunta sempre se repetindo no ar:
Mamãe! Quando papai vai chegar?
Menino,
Vai dormir, a noite chegou.
Menino,
Onde você estava quando soou a corneta?
O que trazia nas mãos?
O que trazia na mente?
Onde ficou o riso inocente,
A calma aparente, o quadro pintado,
A vida latente?
Menino, quem esticou o tempo
Para não perder o trono?
Quem se arrastou pela lama
Para enfrentar velhas utopias?
Quem compôs uma sinfonia de trás pra frente?
Quem esmagou o sonho com balas de chumbo?
Ah! Você não ouviu o grito das velhas árvores.
Não viu o sangue escorrendo entre as flores.
E quando a noite chegou onde você se escondeu?
Ah! Você não sabia da carta marcada
Porque só ouvia a mesma piada.
O mesmo tom.
A mesma nota.
O mesmo som.
E trouxeram guizos e plumas.
Prenderam os homens e os seus sonhos,
Porque era o primeiro dia
De um dia que nunca acabaria.
Menino,
Por um momento escuta o vento.
Ouve o lamento dos que tombaram no palco
Pois ainda se move nas sombras
O Leviatã implacável.
Onde você estava quando quebraram a manhã
E soltaram os elefantes pelas ruas?
Enquanto seus pés chutavam sapotis
Coturnos sem alma esmagavam as flores
E os fuzis anunciavam uma noite sem fim.
Menino,
Você não ouviu o pio triste
De um pássaro sufocado
Pelas cordas de um violino mudo?
Não reparou na cor do vento,
Nas rugas das árvores,
Nos bancos das praças?
Menino,
Trocaram o seu uniforme
Pelo aborto de um sonho invertido
Para manter a pergunta sempre se repetindo no ar:
Mamãe! Quando papai vai chegar?
Menino,
Vai dormir, a noite chegou.
Menino,
Onde você estava quando soou a corneta?
O que trazia nas mãos?
O que trazia na mente?
Onde ficou o riso inocente,
A calma aparente, o quadro pintado,
A vida latente?
Menino, quem esticou o tempo
Para não perder o trono?
Quem se arrastou pela lama
Para enfrentar velhas utopias?
Quem compôs uma sinfonia de trás pra frente?
Quem esmagou o sonho com balas de chumbo?
Ah! Você não ouviu o grito das velhas árvores.
Não viu o sangue escorrendo entre as flores.
E quando a noite chegou onde você se escondeu?
Ah! Você não sabia da carta marcada
Porque só ouvia a mesma piada.
O mesmo tom.
A mesma nota.
O mesmo som.
E trouxeram guizos e plumas.
Prenderam os homens e os seus sonhos,
Porque era o primeiro dia
De um dia que nunca acabaria.
Menino,
Por um momento escuta o vento.
Ouve o lamento dos que tombaram no palco
Pois ainda se move nas sombras
O Leviatã implacável.
Assinar:
Postagens (Atom)

