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sexta-feira, 8 de abril de 2022

POEMAS de Olegário Schmitt

 

IMAGENS

Naquele prado verde
onde nunca estive
tem uma árvore, que nunca vi,
mais abaixo uma fonte
da qual quero beber
um riacho e o banho
o banho
o banho no riacho...
Que mais posso sentir
senão querer lá estar?
.....................
AS LETRAS

abcdefghijlmnopqrstuvxz

Me perguntas como é que se faz poesia.
Pois bem, junte isso que está aí em cima

e que por definição se chama alfabeto,

reúna isso que por definição

se chama de letra,
em qualquer quantia,

na ordem que quiseres,

durante o tempo que quiseres,
e aí está a poesia...
Poesias são reuniões que as letras fazem
pra tomar o chá das cinco.

E é isso apenas o que sei e que te posso
ensinar,
o resto tudo é fofoca dessas tias curucacas.
...................
HORIZONTE

O que procuro é o horizonte,
mas ele sempre está mais além,
mais além, mais além...
Maldito mundo
que foi feito redondo!

Caminho
por esses campos floridos
e piso na verde grama
dos projetos que são feitos
nas nuvens brancas
que voam soltas no céu,
vou traçando planos,
sonhando sonhos,
mas o que busco é o horizonte,
mais além, só um pouquinho.

Logo atrás daquela colina
que se avista ali em frente
tem um sonho realizado,
tem um céu azul que está chovendo,
tem um projeto construído,
tem um campo verde, verde, verde
de onde se avista uma alvorada
repleta de nuvens brancas.

sábado, 5 de março de 2022

TRÊS POEMAS de Paola Rhoden

SONHOS AO POETAR

A estrela D'Alva no horizonte
Nos mostra a direção do poente
Sigo com olhar o seu caminho
Que me mostra como posso ir
Ao lugar que meu sonho criou
Neste lugar existe uma fonte
Que guarda em seu seio uma semente
De alguns lugares bem diferentes
Onde todos possamos sorrir
Coisas que a poetisa sonhou
..................
FAÇO PARTE

Faço parte desta luz silente,
Deste canto de um clamor plangente,
Faço parte desta vida ociosa,
Do longo grito da alma ansiosa.
Sou carente de um olhar cioso,
Presença firme em meu andar,
De um carinho por demais precioso,
Um alento para o meu sonhar.
Seria muito pedir a mão,
Para um apoio no caminhar,
Nem é preciso o coração,
Acelerando o seu pulsar.
Só tenho medo de não viver,
O tempo certo de um querer,
Porque da vida em sua arte,
Tenho certeza que faço parte.
..........
NATUREZA É AMOR

Hoje amanheci com sede de vida
Com fome de chuva
E saudade doída
Com o olhar abracei o horizonte
E vi na grama o sol como fonte
Daquelas folhas caídas
Senti o cheiro do verde bailando
No som do rouxinol cantando
Vi a cor do vento dourado
Dobrando todo o cerrado
Na colorida beleza da flor
soube então que isso é o amor
Que Deus está me enviando

domingo, 20 de fevereiro de 2022

TEMPOS IDOS – Rafael Rocha

 

Do livro “Marcos do Tempo” (2010)
................
Deixando em sal as minhas águas da península
Tristeza do ter sido mundo em tempo exilado.
Como dando sabor às lágrimas do desterro
O meu outrora da vida ter-me desajustado.

A dor fluiu! E os dias ficaram inúteis e vazios.
Tal presença de glória tanto eu ousei sonhar:
Cabelos brancos a emoldurar o belo crânio
A caminho de Caronte essas geleiras vão passar.

Lembro a voz na mesa: “ – Eu não te conheço!”
Preso o pranto enregelou-se em pedra a dor
Marcante dor a invadir a espécie de mim.
Lembro a voz sorrindo a desprezar o amor.

Paixão interrompida. Dá-se e tira. Tudo a se acabar.
Mundo que expira. Viaja para outros mares a flor.
Tal os versos mais infantes a sonhar desditas:
“ – Fonte não me leves, não me leves para o mar”.

Eis no tempo a fonte fria. Sorriso zombador.
A matar o esplendor maior daquela triste lira.
Antes de ser jogado ao mar o corpo frágil
Salvaram-na as areias e o perfume da ilha.

Braços amplos acolheram o poeta incendiado.
Deram-se mãos à paixão na jovem pressa da vida.
O amor fluiu venoso em novo corpo recriado
E renasceu na glória da ilusão perecida.

Cabelos brancos emolduram o belo crânio.
Tais espessas geleiras no caminho de Caronte.
E a voz repete na vida: “ – Não mais te conheço!”
“ – Não sei quem és! Nem imagino de qual lugar de onde...”