INQUILINO INCÔMODO EM UM PODER DE MERDA
varridas vidas em leitos sem oxigênio
coisas de doer
descoloridas perspectivas
não mais o almoço de domingo
não mais as flores de primavera
quartos arrumados, mesas postas
repousos de pedra
inútil vazio
e
silêncios
sem despedidas
.......
XEROFILIA
caatinga, caapões, gramael e seridós:
sigo descalço, riscando a trilha,
no desvio dos espinhos das macambiras
embrenhado na mata seca e branca
entre o cheiro bom do mussambê
e o alaranjado dos mulungus.
.......
TORRÃO DE AÇÚCAR
desmanchado silêncio
na aurora da palavra
o café quente cabe no poema
O Grande Ateop nasceu do choque de uma constelação fantástica de treze estrelas lá nos limites insondáveis do universo. O Grande Ateop não teve pai nem mãe e nenhum deus ou deusa para gerar sua vida. Sua idade é de bilhões de anos e seus escritos estão em todos os murais das civilizações humanas universais.
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quinta-feira, 14 de julho de 2022
POEMAS de Marcos Freitas
quarta-feira, 18 de maio de 2022
AS CHUVAS DA PRIMAVERA - Augusto Frederico Schmidt
Em breve virão as chuvas da Primavera,
As chuvas da primavera
Vão descer sobre os campos,
Sobre as árvores pobres,
Sobre os rios degelando.
As chuvas da Primavera
Cairão sobre os jardins perdidos,
Sobre os rosais desnudos,
Sobre os canteiros sem flor.
As chuvas da Primavera anunciarão
Os grandes dias próximos,
E a cantiga das águas escorrendo
Dos beirais
Nos dirá do tempo próximo,
Das primeiras flores,
Dos primeiros ninhos,
Das primeiras palpitações
Dos brotos,
Das esperanças,
Da vida que se insinua em tudo,
Nos ramos, nas penugens,
Nos céus limpos.
Em breve virão as chuvas da Primavera.
Os rios já estão degelando
O frio já não é tão mau.
Adormece, pois, meu amor,
E esquece este inverno,
Deixa que o sono te leve,
Como as águas levam flores
E folhas soltas.
As chuvas da primavera
Vão descer sobre os campos,
Sobre as árvores pobres,
Sobre os rios degelando.
As chuvas da Primavera
Cairão sobre os jardins perdidos,
Sobre os rosais desnudos,
Sobre os canteiros sem flor.
As chuvas da Primavera anunciarão
Os grandes dias próximos,
E a cantiga das águas escorrendo
Dos beirais
Nos dirá do tempo próximo,
Das primeiras flores,
Dos primeiros ninhos,
Das primeiras palpitações
Dos brotos,
Das esperanças,
Da vida que se insinua em tudo,
Nos ramos, nas penugens,
Nos céus limpos.
Em breve virão as chuvas da Primavera.
Os rios já estão degelando
O frio já não é tão mau.
Adormece, pois, meu amor,
E esquece este inverno,
Deixa que o sono te leve,
Como as águas levam flores
E folhas soltas.
sábado, 26 de março de 2022
RECEBE OS PÁSSAROS DE BRISA - Cissa de Oliveira
“... abres-me as portas do paraíso
com os seus pássaros silenciosos
e sepultas-me as mágoas
sob as águas calmas
do dia seguinte...”
in: “É inverno ou primavera?” - José António Gonçalves
..............
olha os meus pássaros amor,
guia-te por eles e descobre dentro de ti
se é inverno ou primavera
pois já te presenteei com as tonalidades
turquesas da plumagem
dos mais delicados pássaros
vês? levam consigo a profundidade
tinta das águas, e o balbuciar
docinho dos céus limpos das tardes
sente no bater cadenciado das suas asas,
o aroma que fica dos poemas
depois de derramados
segue entre eles a brancura
segredada dos silenciosos cantos,
que não sei se ouvirás, ou quando
porque antes, será preciso que a caixa
ressonante do teu coração
esteja preparada
com eles enfeita e dá vida aos telhados
das tuas cidades fantasmas,
apagando delas qualquer silêncio mutilado
escuta dos seus biquinhos o som,
são guitarras que denunciam o ritmo
das tuas mais escondidas alegrias
lê no minúsculo colorido assaz
dos seus olhos, um quê das promessas,
maduras como os cristais
abre as portas e todas as janelas,
e recebe os meus pássaros de brisa,
frágeis, como cabelos de boneca
sepulta vagarosamente as tuas mágoas,
como dálias que dançando no ar,
renascessem num balé de pétalas
imagina em cada um desses mimos,
um querubim, e a minha vontade,
evoluindo como um beija-flor no ar
percebe neles, os vestidos e a tez
dos sóis, e aprecia a realidade
como é quando bonita de fato
guarda-os livres entre os jardins da casa,
para que eles te sigam
como girassóis de dias claros
pra ti, os meus pássaros levam nas asas
o mundo plano onde se perde a vista,
assim, alcança a minha mão
e adormece deitando os olhos,
no bosque sempre anil do teto do teu quarto,
onde por ti velarão os meus pássaros
independente do que se refletirá
amanhã, na correnteza dos céus
quando se espelham nas águas planas.
com os seus pássaros silenciosos
e sepultas-me as mágoas
sob as águas calmas
do dia seguinte...”
in: “É inverno ou primavera?” - José António Gonçalves
..............
olha os meus pássaros amor,
guia-te por eles e descobre dentro de ti
se é inverno ou primavera
pois já te presenteei com as tonalidades
turquesas da plumagem
dos mais delicados pássaros
vês? levam consigo a profundidade
tinta das águas, e o balbuciar
docinho dos céus limpos das tardes
sente no bater cadenciado das suas asas,
o aroma que fica dos poemas
depois de derramados
segue entre eles a brancura
segredada dos silenciosos cantos,
que não sei se ouvirás, ou quando
porque antes, será preciso que a caixa
ressonante do teu coração
esteja preparada
com eles enfeita e dá vida aos telhados
das tuas cidades fantasmas,
apagando delas qualquer silêncio mutilado
escuta dos seus biquinhos o som,
são guitarras que denunciam o ritmo
das tuas mais escondidas alegrias
lê no minúsculo colorido assaz
dos seus olhos, um quê das promessas,
maduras como os cristais
abre as portas e todas as janelas,
e recebe os meus pássaros de brisa,
frágeis, como cabelos de boneca
sepulta vagarosamente as tuas mágoas,
como dálias que dançando no ar,
renascessem num balé de pétalas
imagina em cada um desses mimos,
um querubim, e a minha vontade,
evoluindo como um beija-flor no ar
percebe neles, os vestidos e a tez
dos sóis, e aprecia a realidade
como é quando bonita de fato
guarda-os livres entre os jardins da casa,
para que eles te sigam
como girassóis de dias claros
pra ti, os meus pássaros levam nas asas
o mundo plano onde se perde a vista,
assim, alcança a minha mão
e adormece deitando os olhos,
no bosque sempre anil do teto do teu quarto,
onde por ti velarão os meus pássaros
independente do que se refletirá
amanhã, na correnteza dos céus
quando se espelham nas águas planas.
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