INQUILINO INCÔMODO EM UM PODER DE MERDA
varridas vidas em leitos sem oxigênio
coisas de doer
descoloridas perspectivas
não mais o almoço de domingo
não mais as flores de primavera
quartos arrumados, mesas postas
repousos de pedra
inútil vazio
e
silêncios
sem despedidas
.......
XEROFILIA
caatinga, caapões, gramael e seridós:
sigo descalço, riscando a trilha,
no desvio dos espinhos das macambiras
embrenhado na mata seca e branca
entre o cheiro bom do mussambê
e o alaranjado dos mulungus.
.......
TORRÃO DE AÇÚCAR
desmanchado silêncio
na aurora da palavra
o café quente cabe no poema
O Grande Ateop nasceu do choque de uma constelação fantástica de treze estrelas lá nos limites insondáveis do universo. O Grande Ateop não teve pai nem mãe e nenhum deus ou deusa para gerar sua vida. Sua idade é de bilhões de anos e seus escritos estão em todos os murais das civilizações humanas universais.
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quinta-feira, 14 de julho de 2022
POEMAS de Marcos Freitas
quinta-feira, 26 de maio de 2022
IMAGENS DE PALAVRA - Hildeberto Barbosa Filho
Buscar a palavra
nas lições da vida.
E na morte prematura,
buscar a palavra,
embrião perdido
por entre os olhos
e os lábios sepultados.
Reter a palavra,
essência tarda no cume
do poema, perfeito
paraíso de degredos...
Retê-la no fremir
do verso, e no fremir
do verso, moldá-la:
rigorosa linha entre
as manhãs e as noites
do meu tédio.
Guardar a palavra:
gesto último de quem
vazou o texto e não
beijou neblinas...
nem formas acabadas.
Perdê-la no tempo
vazio e recomposto,
único janeiro dos anos
estivais.
Plantar a palavra
no verão e no inverno,
alimento que povoa
o medo nos desertos
do papel
e entre sílabas de dor
ganir o amor contido,
rio de luzes e sal
de agosto, dezembros
maculados...
Depará-la, fendida,
na geometria da paixão,
cálculos infindos
para uma imagem
derradeira.
Buscar a palavra
esquecida na gaveta
e molhada na saliva
do silêncio:
único roteiro dos meus
sonhos irreais.
Liame do meu mundo
com o teu mundo
(itinerário devastado) uma planície que se fez
outono...
nas lições da vida.
E na morte prematura,
buscar a palavra,
embrião perdido
por entre os olhos
e os lábios sepultados.
Reter a palavra,
essência tarda no cume
do poema, perfeito
paraíso de degredos...
Retê-la no fremir
do verso, e no fremir
do verso, moldá-la:
rigorosa linha entre
as manhãs e as noites
do meu tédio.
Guardar a palavra:
gesto último de quem
vazou o texto e não
beijou neblinas...
nem formas acabadas.
Perdê-la no tempo
vazio e recomposto,
único janeiro dos anos
estivais.
Plantar a palavra
no verão e no inverno,
alimento que povoa
o medo nos desertos
do papel
e entre sílabas de dor
ganir o amor contido,
rio de luzes e sal
de agosto, dezembros
maculados...
Depará-la, fendida,
na geometria da paixão,
cálculos infindos
para uma imagem
derradeira.
Buscar a palavra
esquecida na gaveta
e molhada na saliva
do silêncio:
único roteiro dos meus
sonhos irreais.
Liame do meu mundo
com o teu mundo
(itinerário devastado) uma planície que se fez
outono...
quarta-feira, 25 de maio de 2022
VELEIRO ARPOADOR – Cyda Zola
Meu corpo
se entrega
ao mar
neste instante
derradeiro
sou eu o veleiro
e o arpoador
no fundo do mar
meu instante de poesia
Sou onda
porção de água
que se eleva
sóbria e forte
sensual e livre
sendo somente onda
fica em mim
o veleiro que passa
friso dentro do mar
vela do meu destino
Faz hora que você se foi
meu corpo exala
cheiro de mar
faz hora que você se foi
meu corpo tem
a forma de mar
infinito horizonte
nas marcas que teu corpo
verticalmente
deixou na minha cama
Quero o poema
se traduzindo
em desejo intenso
boca e silêncio
sussurro e beijo
embriagado de azul
Um poema
é a única
eternidade
possível
de um amor
Estás tão distante
e ainda assim
derramas teu corpo
sobre o meu
e te esqueces de partir
se entrega
ao mar
neste instante
derradeiro
sou eu o veleiro
e o arpoador
no fundo do mar
meu instante de poesia
Sou onda
porção de água
que se eleva
sóbria e forte
sensual e livre
sendo somente onda
fica em mim
o veleiro que passa
friso dentro do mar
vela do meu destino
Faz hora que você se foi
meu corpo exala
cheiro de mar
faz hora que você se foi
meu corpo tem
a forma de mar
infinito horizonte
nas marcas que teu corpo
verticalmente
deixou na minha cama
Quero o poema
se traduzindo
em desejo intenso
boca e silêncio
sussurro e beijo
embriagado de azul
Um poema
é a única
eternidade
possível
de um amor
Estás tão distante
e ainda assim
derramas teu corpo
sobre o meu
e te esqueces de partir
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