a palavra que nasce no miolo mesminho
da vida que habito a que
apanho dos gromos e das pugas
que es- tarricam vida
a que por vezes abro e aprofundo e bebo e sugo
loucamente a que mondo como se fosse umha noz
que na vega no salitre a que bico
com os meus lábios cortados
pola invernia do frio a que des-visto para fitar
teus seios de leite amazucado
a que me circunda como a amante
que sempre me espera
a palavra, a palavra em corpo
desnudo-essa-na que deito
a palavra no zig-zag da luxúria como
cóbrega nos tornozelos a palavra,
mistura de sangue e barro-lama pe-gada sobre a pel
a palavra que arestora me chama tolo
e louco, barco perdido
a palavra, esse discorrer dos fonemas no epicentro
dos sexos e bate com as silabas nas curvas infinitas
dos canles molhados essa, tabú de desejos,
que se leva nas linguas todos os segundos
abençoada no verbo em coito nos que
as águas se abraçam orgasmo de nuvens
chocando como feras selvagens
a palavra in versus silêncios como lobas nas ilhas a palavra
a palavra a palavra que subjaz no fondo
como cadáveres
O Grande Ateop nasceu do choque de uma constelação fantástica de treze estrelas lá nos limites insondáveis do universo. O Grande Ateop não teve pai nem mãe e nenhum deus ou deusa para gerar sua vida. Sua idade é de bilhões de anos e seus escritos estão em todos os murais das civilizações humanas universais.
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sexta-feira, 15 de julho de 2022
SE EU SOUBESSE A PALAVRA - Antom Laia López
quinta-feira, 26 de maio de 2022
IMAGENS DE PALAVRA - Hildeberto Barbosa Filho
Buscar a palavra
nas lições da vida.
E na morte prematura,
buscar a palavra,
embrião perdido
por entre os olhos
e os lábios sepultados.
Reter a palavra,
essência tarda no cume
do poema, perfeito
paraíso de degredos...
Retê-la no fremir
do verso, e no fremir
do verso, moldá-la:
rigorosa linha entre
as manhãs e as noites
do meu tédio.
Guardar a palavra:
gesto último de quem
vazou o texto e não
beijou neblinas...
nem formas acabadas.
Perdê-la no tempo
vazio e recomposto,
único janeiro dos anos
estivais.
Plantar a palavra
no verão e no inverno,
alimento que povoa
o medo nos desertos
do papel
e entre sílabas de dor
ganir o amor contido,
rio de luzes e sal
de agosto, dezembros
maculados...
Depará-la, fendida,
na geometria da paixão,
cálculos infindos
para uma imagem
derradeira.
Buscar a palavra
esquecida na gaveta
e molhada na saliva
do silêncio:
único roteiro dos meus
sonhos irreais.
Liame do meu mundo
com o teu mundo
(itinerário devastado) uma planície que se fez
outono...
nas lições da vida.
E na morte prematura,
buscar a palavra,
embrião perdido
por entre os olhos
e os lábios sepultados.
Reter a palavra,
essência tarda no cume
do poema, perfeito
paraíso de degredos...
Retê-la no fremir
do verso, e no fremir
do verso, moldá-la:
rigorosa linha entre
as manhãs e as noites
do meu tédio.
Guardar a palavra:
gesto último de quem
vazou o texto e não
beijou neblinas...
nem formas acabadas.
Perdê-la no tempo
vazio e recomposto,
único janeiro dos anos
estivais.
Plantar a palavra
no verão e no inverno,
alimento que povoa
o medo nos desertos
do papel
e entre sílabas de dor
ganir o amor contido,
rio de luzes e sal
de agosto, dezembros
maculados...
Depará-la, fendida,
na geometria da paixão,
cálculos infindos
para uma imagem
derradeira.
Buscar a palavra
esquecida na gaveta
e molhada na saliva
do silêncio:
único roteiro dos meus
sonhos irreais.
Liame do meu mundo
com o teu mundo
(itinerário devastado) uma planície que se fez
outono...
terça-feira, 3 de maio de 2022
POEMAS de João Felinto Neto
AINDA ESTOU VIVO
Ainda estou vivo,
percebo isso
em meus pulsos.
Ainda estou vivo,
assim percebo
pelos meus gemidos.
Ainda estou vivo,
percebo isso
nos meus próprios gritos.
Ainda estou vivo,
isso eu percebo
por minha exaustão.
Ainda estou vivo,
é percebível
pelo meu silêncio.
Ainda estou vivo,
percebo e sinto
o meu coração.
Estou vivo, não vivo em vão.
...........
FIO DA MEADA
Se o amor é uma palavra abstrata,
por que a dor
é tão física?
Por que a carne
é tão fraca?
Entre nós,
impressões desfeitas.
Entre outros,
o fio da meada.
............
EMBARCAÇÕES
Pontos retratados
sobre um lençol de espumas,
que o lápis do tempo
redesenhando,
rascunha;
e tornam-se figuras,
contornadas pela realidade,
embarcações.
.............
PERFIL
Tocasse a vida
com sua mão
em uma tinta turva,
e contornasse em sinuosa
curva,
uma forma definida,
traços que marcam uma silhueta:
Testa, nariz,
lábios e queixo,
olho e orelha,
restauraria seu perfil.
Lábios calados,
olho vazio,
nariz sangrando,
testa febril,
queixo quebrado
e orelha de abano.
.............
VEGETAL
No espaldar da cadeira
encosto minhas costas curvadas,
que sob o peso do tempo
sente o abreviamento
de uma vida inteira.
Silencio-me no esquecimento,
com exceção dos gemidos.
Expio uma oculta dimensão.
Passado e presente,
passando à frente,
à minha mão.
No esforço de manter-me vivo,
acumulo os anos
sobre meus ombros.
Meus ossos, fragmentados pelo peso,
aprisionam-me.
Vegetal ilhado por sonhos
e lembranças de ontem.
................
FANTASIA OU LOUCURA
A ilusão caminha solta pela rua,
onde as calçadas são de pedra de sabão.
Os transeuntes são apenas esculturas
que se derretem sob a chuva
numa eterna ilusão.
Rente aos telhados passa, a luminosa lua,
transformada numa bolha de sabão.
Há dentro dela, uma bela dama nua
que na sua face oculta,
amarga desilusão.
Observando esta cena, continua
extasiada com sua imaginação,
a inusitada e sombria figura.
Será fantasia ou loucura,
essa alucinação?
Ainda estou vivo,
percebo isso
em meus pulsos.
Ainda estou vivo,
assim percebo
pelos meus gemidos.
Ainda estou vivo,
percebo isso
nos meus próprios gritos.
Ainda estou vivo,
isso eu percebo
por minha exaustão.
Ainda estou vivo,
é percebível
pelo meu silêncio.
Ainda estou vivo,
percebo e sinto
o meu coração.
Estou vivo, não vivo em vão.
...........
FIO DA MEADA
Se o amor é uma palavra abstrata,
por que a dor
é tão física?
Por que a carne
é tão fraca?
Entre nós,
impressões desfeitas.
Entre outros,
o fio da meada.
............
EMBARCAÇÕES
Pontos retratados
sobre um lençol de espumas,
que o lápis do tempo
redesenhando,
rascunha;
e tornam-se figuras,
contornadas pela realidade,
embarcações.
.............
PERFIL
Tocasse a vida
com sua mão
em uma tinta turva,
e contornasse em sinuosa
curva,
uma forma definida,
traços que marcam uma silhueta:
Testa, nariz,
lábios e queixo,
olho e orelha,
restauraria seu perfil.
Lábios calados,
olho vazio,
nariz sangrando,
testa febril,
queixo quebrado
e orelha de abano.
.............
VEGETAL
No espaldar da cadeira
encosto minhas costas curvadas,
que sob o peso do tempo
sente o abreviamento
de uma vida inteira.
Silencio-me no esquecimento,
com exceção dos gemidos.
Expio uma oculta dimensão.
Passado e presente,
passando à frente,
à minha mão.
No esforço de manter-me vivo,
acumulo os anos
sobre meus ombros.
Meus ossos, fragmentados pelo peso,
aprisionam-me.
Vegetal ilhado por sonhos
e lembranças de ontem.
................
FANTASIA OU LOUCURA
A ilusão caminha solta pela rua,
onde as calçadas são de pedra de sabão.
Os transeuntes são apenas esculturas
que se derretem sob a chuva
numa eterna ilusão.
Rente aos telhados passa, a luminosa lua,
transformada numa bolha de sabão.
Há dentro dela, uma bela dama nua
que na sua face oculta,
amarga desilusão.
Observando esta cena, continua
extasiada com sua imaginação,
a inusitada e sombria figura.
Será fantasia ou loucura,
essa alucinação?
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