Mostrando postagens com marcador lua. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lua. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 31 de maio de 2022

PENSARES – Clevane Pessoa

 

São meus pensamentos malabares
giram em espirais.
fazem volteios,
como nas guirlandas
que mesclam cipó e fitas
ou em caminhos de seios
contornados por carícias...
São meu pensamentos, cantares
Repetitivos como trinados
De muitos passarinhos
Ou desiguais quais aqueles
Que imitam os vizinhos
Na verdade, os produtos
Dessa minha algaravia
São traduções atávicas
E renascem reinventados
Dos labirintos da alma
Que não quer imitar sons
Que já foram emitidos:
Da siringe, os meus pios
Atingem longas distâncias
Para alcançar os demais...

Meus pensamentos são mares
De muita profundidade,
Mas que rasantes nas areias
Lambem o calor que encontram,
Ajudam a esfriar as orlas
Com suas ondas agitadas...
Às vezes fazem redemoinhos
Em caldeirão perigoso ...
Podem chegar a maremotos,
Em fenômenos encadeados,
Mas a maré esperada
Somente depende dos ciclos
Caprichosos das faces de dona lua...

Meus pensamentos são ninhos
Com ovos sempre a chocar
Esperando ver nascer
Novas vidas a trinar...

Meus pensamentos,
Ramalhetes de rosas
Lama de barro sagrado,
Nascentes e rios,
Fogos de artifício, fogueiras
Estrelas e parafusos...
Tear de tudo, roca e fusos
Artesanato de fitas e vime
Guirlandas de oferendas,
Nuvens macias e prenhes
Para a chuva na seara
Para o choro das pedras
Para o riso das montanhas
Para o grito das cavernas
Meus pensamentos interpretam
Tudo e todos, até a mim
Que apesar de tantas buscam
nem sequer sei quem sou...

segunda-feira, 23 de maio de 2022

POEMAS de Vicente Freitas

 

SONETO COR-DE-ROSA

Moça bonita, musa cor-de-rosa,
nesta tarde calma, bela e radiosa,
fico a pensar em ti, maravilhosa
e nua, lua nua luminosa.

Sonho e sinto nessa tarde de ouro,
raio de sol, o teu cabelo louro...
mulher azúlea e rósea, meu tesouro,
sinto-me leve como um jovem mouro.

Cai a noite a ensombrar os horizontes,
e ao leve embalo murmurar das fontes,
adormecemos sobre velhas pontes...

Mas ouvindo a maciez de tua fala,
sobressaltado, acordo sobre a mala,
indo de encontro à solidão da sala.
.......
SONETO DA INTIMIDADE

Invulneráveis são teus seios belos
que sempre dão prazer, prazer profundo.
Além de belos, belos e fecundos.
E eu corro muitas léguas para tê-los.

Parecem duas frutas despencando
dois frutos sob a blusa, intumescidos
e quando os vejo assim desenvolvidos
mesmo acordado... fico assim sonhando.

As tetas de cor roxa e graciosas
aumentam suas formas voluptuosas
e tremem quando em busca de carinhos.

E quando no teu íntimo absorvidos
às vezes minhas mãos e meus sentidos
beliscam como leves passarinhos.
.......
METAMORFOSE

Treva da noite,
nos ombros curvos da cidade,
aglomerados,
nos olhos turvos das janelas
tudo jaz sem equilíbrio.

Parte, ó homem, à aventura do amor
esquece um instante teu Ego
não é utopia fantástica,
é possível.

Talvez achareis meu poema
perdido em ruínas
com tua rude miséria exposta
em metamorfose.

Homens, rainhas, reis,
não pequemos pela maçã ou pelo pão,
voltemos à nudez do paraíso:
Mundo sem dor,
onde o homem não tem forma de lágrima.
.......
MACUNAÍMA

sou Macunaíma
o herói sem geografia
sem residência fixa
sem hora

sou Martim Cererê
sou um mito
um mágico
um milagre
sou carente de você

sou sensível
às vezes, Caipora

– sou Macunaíma, o herói

segunda-feira, 9 de maio de 2022

QUEM SOU EU? – Vânia Moreira Diniz

Quem sou eu que não me enxergo,
Nessa luz rasa e fracamente difusa,
Quem sou que não me encontro
E nunca entendo o que se passa?

Quem sou eu a caminhar pensativa,
Procurando entender minha alma,
Penetrando em sinuosos caminhos,
E tentando não cair naquele abismo?

Quem sou eu que não compreende,
Esse momento estranho tão rude,
A agredir meu sentimentos,
Quem sou eu afinal?

Quem sou eu a olhar no infinito,
Procurar nas estrelas a minha luz,
Pedir a lua que me devolva os segredos,
E me deite na areia da minha praia?

Que sou eu, que procuro o inexistente,
Pede que aqui ele me busque,
Indicando-me a estrada sinuosa,
Que nem sei por onde passa?

Quem sou eu, que não me reconheço,
Não entendo o que digo ou faço,
Entre mistérios não me atento,
E assim entre quedas prossigo?

Quem sou eu? Quem sou eu,
Que não me reconheço?
Que de longe contemplo,
E digo para sempre que não quero?

Quem sou eu sem tamanha lucidez,
Cujo olhar não atinge nem penetra,
O horizonte que antes eu via,
E me parece tão estranho e distante?
Quem sou eu?