a palavra que nasce no miolo mesminho
da vida que habito a que
apanho dos gromos e das pugas
que es- tarricam vida
a que por vezes abro e aprofundo e bebo e sugo
loucamente a que mondo como se fosse umha noz
que na vega no salitre a que bico
com os meus lábios cortados
pola invernia do frio a que des-visto para fitar
teus seios de leite amazucado
a que me circunda como a amante
que sempre me espera
a palavra, a palavra em corpo
desnudo-essa-na que deito
a palavra no zig-zag da luxúria como
cóbrega nos tornozelos a palavra,
mistura de sangue e barro-lama pe-gada sobre a pel
a palavra que arestora me chama tolo
e louco, barco perdido
a palavra, esse discorrer dos fonemas no epicentro
dos sexos e bate com as silabas nas curvas infinitas
dos canles molhados essa, tabú de desejos,
que se leva nas linguas todos os segundos
abençoada no verbo em coito nos que
as águas se abraçam orgasmo de nuvens
chocando como feras selvagens
a palavra in versus silêncios como lobas nas ilhas a palavra
a palavra a palavra que subjaz no fondo
como cadáveres
O Grande Ateop nasceu do choque de uma constelação fantástica de treze estrelas lá nos limites insondáveis do universo. O Grande Ateop não teve pai nem mãe e nenhum deus ou deusa para gerar sua vida. Sua idade é de bilhões de anos e seus escritos estão em todos os murais das civilizações humanas universais.
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sexta-feira, 15 de julho de 2022
SE EU SOUBESSE A PALAVRA - Antom Laia López
sábado, 7 de maio de 2022
A PRIMEIRA MENSAGEM – Idelma Ribeiro de Faria
Transponho ilhas de vazio
e vou buscar-te em fragmentos,
pequenina.
Névoas circundam-te os cabelos,
névoas penetram-te na boca,
turbam-te os olhos.
Mas a cantiga é cristal líquido.
Nasce na sala,
transporte o inerte corredor
e eclode em vívida mensagem
na soleira.
Um vulto vago
- Mãe sereníssima -
se dualiza:
senta-se ao piano,
o filho ao colo.
Canta o menino.
E a melodia te trespassa
e fragmenta.
Vou encontrar-te na soleira
em braços, pernas, gesto e riso.
Entanto, plenos de presença,
olhos e ouvidos
estão na sala
irmanados ao canto.
Notas florescem em tênue fio,
unem-se à noite.
Vultos se movem, nebulosos,
mas voz filtrada
fixa o quadro
nitidamente:
- Um ano se canta!...
Dez são os irmãos em torno ao instante.
Dez, todos eles intocados,
leves, ingênuos,
pés levitando além do lastro
do inapelável e do obscuro.
Não percebem
no canto
o voo migratório
a emoldurar a infância débil,
a perseguir além da infância
o rosto branco e adolescente,
rosto translúcido,
pulverizado em febre e tosse,
rosto-sombra,
vagando insone,
rosto-paina,
aberto em círculos de silêncio.
e vou buscar-te em fragmentos,
pequenina.
Névoas circundam-te os cabelos,
névoas penetram-te na boca,
turbam-te os olhos.
Mas a cantiga é cristal líquido.
Nasce na sala,
transporte o inerte corredor
e eclode em vívida mensagem
na soleira.
Um vulto vago
- Mãe sereníssima -
se dualiza:
senta-se ao piano,
o filho ao colo.
Canta o menino.
E a melodia te trespassa
e fragmenta.
Vou encontrar-te na soleira
em braços, pernas, gesto e riso.
Entanto, plenos de presença,
olhos e ouvidos
estão na sala
irmanados ao canto.
Notas florescem em tênue fio,
unem-se à noite.
Vultos se movem, nebulosos,
mas voz filtrada
fixa o quadro
nitidamente:
- Um ano se canta!...
Dez são os irmãos em torno ao instante.
Dez, todos eles intocados,
leves, ingênuos,
pés levitando além do lastro
do inapelável e do obscuro.
Não percebem
no canto
o voo migratório
a emoldurar a infância débil,
a perseguir além da infância
o rosto branco e adolescente,
rosto translúcido,
pulverizado em febre e tosse,
rosto-sombra,
vagando insone,
rosto-paina,
aberto em círculos de silêncio.
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