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terça-feira, 24 de maio de 2022

TRÊS POEMAS de Nestor Lampros

 

SURPRESA

surpresa
diagramada
em viver ou morrer
um detalhe

no cimo
do monte
a sempre
pomba avante
escape

da paz
que se ensina
para o soldado
em que se abomina

a arma
talvez adiante

diagramada
sombra

na olheira do coveiro
uma cor
que entendo

uma coisa intérmina
ociosa em diáspora

espero
.......
NOITE SEM SONO

Pleno dados no teclado, vidas de informe.
O sono foi-se embora para Guantánamo,
depois envio um e-mail para configurar
dois dedos de prosa e sem a voz de novo

Para se desfazer dos dúctilos do movimento.
Clico duas vezes com o lado direito do mouse,
para deformar as imagens no photoshop
e cinco vidas no site, na internet, se mentem.

Nem concluo o fato de ser do meu poema,
na fossa larga dos coreldraw inside one
se tornando loquazes no infortúnio word

de cair a força sem estarem salvos
os meus arquivos tão monótonos,
de noites insones no chat da minha rede.
.......
VENTO

O vento adentra a janela
aberta para que o vento entre,
para que tudo em movimento
em movimento fique,
até ser chegada a sua hora,
tempo de não haver mais janelas
e o vento estático se petrifique.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

POEMAS de Damário da Cruz

CAIXA - PRETA

Sou um homem.
Portanto,
mais que palavra.

Não pronuncio
o sentimento
apenas como palavra.

O que foi dito
ao entardecer
não se confirma
na madrugada.
O que foi visto
no sonho
não se confronta
com a realidade.

Sou um homem.
Portanto,
uma surpresa.
...........................
CERTO VOO

Cada
pássaro
sabe
a rota
do retorno.

Cada
pássaro
sabe
a rota
de si.

Cada
pássaro,
na rota,
sabe-se
pássaro.
...............................
ESTRELA DISTRAÍDA

Longe de Miramar
e Havana cria estrelas.

Se não me reconheço
como voltar a Miramar?
Com luz nenhuma
na cegueira de estrangeiro?

Se não me reconheço
como voltar a mim?
Com espelhos de crianças
erguidos para a lua?

Estou só...
longe de Miramar
e a escuridão pinta o céu.
............................
LUZ ALHEIA

Não sou
tua estrela guia

Algum cometa
desvia olhares,
alguma noite
é mais escura,
algum céu
é leviano.

Não sou
teu porto seguro.

Algum farol
seduz a proa,
alguma gaivota
voa à-toa,
algum vento
é fugaz.
........................
SAUDADE

Deixarei
a lua acesa
na varanda.

No meu retorno
dos becos noturnos
e do lual de Luciano,
evitarei tropeçar
na tua ausência...