sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Na estação central - Edwin Morgan

(Tradução de Virna Teixeira)

Na Estação Central, no meio do dia
uma mulher está mijando na calçada.
Com as costas para a parede e as pernas afastadas
ela inclina-se, o cabelo caindo sobre o rosto,
a saia sombria e o casaco nem sequer levantado.
Sua urina bate na pedra com força
e corre em direção à sarjeta.
Ela não é velha, nem jovem,
não é suja, tampouco limpa,
nem em trapos, mas naquele caminho.
Ela está no centro da cidade, o fantasma no banquete.
Executivos saindo do trem de Londres
assustam-se incrédulos mas pulam o rio
e mansamente juntam-se à fila do táxi.
A gente de Glasgow passa apressada,
mal olha, ou se atreve a olhar,
ou olha severamente, atrevida, como
o olhar do poeta, não duro como o aço
mas severo, rápido, diminuindo o passo
um pouco, registrador maldito, seus sentimentos
tão confusos como as folhas de novembro.
Ela é uma estátua em um redemoinho,
surrada por nada que ele possa dizer em palavras,
sangrando nas ondas de conversa
e transita fluidos terríveis de necessidade.
Somente dois homens francamente param,
com um sorriso largo, jogam-lhe um insulto
enquanto cruzam a rua para apostar no jogo.
Sem eles a indignidade,
a dignidade, seria incompleta.

Um comentário:

  1. Pois tudo o que possa ser diferente desperta crítica ou
    indiferença. Gostei. Mais uma tradução.
    Irene Alves

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